Sobre comparações …

Somos todos animais. Não sei se o fato de sermos racionais seria uma dádiva ou uma maldição, porque é por esse dom de pensar nas coisas que acabo me ferrando e me privando de vários prazeres rotineiros e simples para qualquer um. Talvez por sermos animais racionais a seleção natural aconteça de forma menos natural do que se possa imaginar. Nós compramos alguns padrões ao passar dos anos e adotamos estes ideais. Hoje vivemos fadados a comparações. Comparamos uns aos outros.

Não sei até onde a prática deste hábito pode comprometer a estima de alguém. Especificamente a minha. Nem qual o limite do normal e do saudável. Basta eu ver alguém que não seja eu mesmo para que se encadeie uma série de comparativos. Desde que todo homem ao meu ver, seja gordo ou magro, alto ou baixo, tem um corpo em formato “V” e eu não … até o fato de que a grande maioria dos caras que eu conheço e convivo são lisinhos ou tem pouco pêlo e eu sou praticamente um macaco!

Enfim … nada me faz olhar no espelho e ver alguma semelhança minha com pessoas interessantes. Não é que todos tenham que ser iguais. Que graça teria se fossem? Mas existe um padrão a ser seguido e quem não o segue acaba sendo dispensado. É duro ouvir que você está bem acabado para a idade que tem. Bem … nada vai melhorar. É a única certeza que tenho!

 

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Sobre amizades descartáveis …

Não é tão comum eu sair na noite e meus amigos comentam que preciso melhorar meu relacionamento com as pessoas, socializar e etc. Resolvi aparecer num local que não frequentava desde 2011, mas não foi muito diferente dos lugares que frequentei desde então com algumas companhias. Geralmente o motivo de eu sair assim é a boa companhia de alguém e, inevitavelmente eu acabo conhecendo os “amigos do amigo”. Brinco com eles, participo das conversas fiadas, dou risada, danço …

Sempre busquei muito mais que isso. Sempre quis conhecer mais das pessoas e ter uma relação mais profunda. Concordo que não se espera que em uma noite você saia de um lugar sendo BFF de todos que acabou de conhecer, mas qual a razão de tudo isso? Só pelo entretenimento? As pessoas são tão descartáveis assim ao permitirem que outras pessoas as usem? Será que é recíproco?

Posso ter uma estima mais baixa que os túneis da linha amarela do metrô de São Paulo, mas em relação a alguns pontos eu gostaria de ser menos seletivo, menos tolerante. Apesar de ter dificuldades em demonstrar meu reais sentimentos, sou extremamente fiel e tenho uma capacidade imensa de perdoar. Acho que meu coração não tem tamanho e graças a ele eu sinto tudo com mais intensidade do que deveria. Coisas simples e facilmente ignoradas não fogem da minha percepção.

Essa minha “qualidade” (se é que posso chamar assim) só fode comigo! É preciso dar carinho se quiser receber em troca. Esse é um tipo de acordo onde todos saem ganhando. Mas que graça tem esse negócio se no dia seguinte tudo acabou? Esse post deve estar confuso pra você que está tentando lê-lo até o fim. Até eu não sei mais do que estou falando. São muitas coisas descartáveis que me aborrecem. Principalmente quando não gostaríamos de descartar as que mais gostamos.

As pessoas são passageiras. Não importa o quanto você as ame, elas vão embora! Elas vão passar por você e tudo o que você vai ter são as boas lembranças e a certeza (ou não) do quanto era importante. O desafio é nunca descartar esse sentimento. Amor não se descarta, se recicla.

Sobre os 30 …

Quando eu tinha os meus 14 anos,sempre achei que por alguma razão que desconhecia na época eu não chegaria aos 25 anos. Não tinha motivos, eu realmente acreditava que só viveria 25 anos. Quando eu fiz 26 comecei a imaginar como seriam os 30. Agora que finalmente tô chegando neles, nada parece como imaginei.

1º eu acreditava que estaria com minha estabilidade financeira aos 30. Morando sozinho ou acompanhado, mas fora de casa. Isso não aconteceu. 2º eu achava que estaria formado (risos). Essa parte não aconteceu MESMO! Tô bem atrasado na corrida da vida, onde muita gente bem mais nova que eu está muito bem formada ou fazendo uma pós. O foda é que tudo isso parece valer estrelinhas até na hora de você ser escolhido como “amante” de alguém. Estabilidade + formação = pessoa intelectualmente interessante, diferente de mim. 3º Eu achava que estaria bem acompanhado com um cara que me complete, blá blá blá … essas bobagens de conto de fadas gay!

Tô chegando nos 30 com carinha de 40, mas sem o corpo desejável de 50 que muito cara tem por aí.

Tô tentando mudar e isso só me frustra mais ainda porque percebo que não se muda a ninguém. A gente tenta manter aquilo que é. Mas não dá pra ficar interessante. Eu queria sumir! Queria parar de completar aniversários. Não muda pra melhor. As coisas não acontecem como eu espero. A gente só tem surpresa ruim e nosso coração prega peças e ri da nossa cara. Se existe um Deus lá em cima Ele com certeza se diverte horrores com a complexidade do monstro que Ele criou.

Queria me amar. Queria me amar tano a ponto de não precisar que outra pessoa me amasse! Ser auto-suficiente.

Além de não ter nenhuma dessas qualidades, ainda consigo estragar toda boa oportunidade que me aparece. Já não me basta ser desprovido de beleza e dotes físicos, além de não ter um rostinho bonito. Ainda tenho que demonstrar uma vulnerabilidade incontrolável. 

É Alex … já que você não é bonito, não tem rostinho interessante, nem corpo sexy, não é alguém nessa vida! Tenta pelo menos ser forte, porque as pessoas buscam segurança e você é um merdinha! Feliz aniversário!

Sobre transformação e manutenção …

Esse negócio de querer mudar e melhorar a aparência para esforço em vão. Dar murro em ponta de faca, sabe?

Tenho feito dieta e venho mudando minha alimentação, mas nada disso me fez parecer alguém mais interessante. Tem uns meses que tô malhando e sei que resultado mesmo só vou ver com no mínimo seis meses, mas ainda assim não boto fé. Não é assim que alguém que nem sequer era interessante de repente vai se tornar alguém desejável.

Sobre conveniência …

Não sou nenhum cara bom com as palavras. No minúsculo círculo de conhecidos que tenho, devo ser o que mais tem dificuldades em se expressar ou conseguir ser preciso e assertivo na mensagem que eu gostaria de passar. Na escrita o fato de eu ser um semi-analfabeto não facilita em nada a comunicação, mas mais uma vez vou tentar “falar” aqui.

É difícil agradar o ser humano, sabe! Sabe a conveniência dos contatos e vínculos de “amizade”? Queria conseguir trabalhar isso com a mesma habilidade e naturalidade que as pessoas ordinariamente comuns e interessantes conseguem! Falar só o que querem ouvir, ser solícito, ser prestativo e sempre disponível. Estar sempre em constante comunicação por saber que mais cedo ou mais tarde aquele contato me será útil. Queria poder olhar pras pessoas e vê-las como os objetos que sou pra elas. Ainda que seja o objeto inútil que sou, mas queria dominar essa arte da conveniência.

Hoje o meu dia perdeu mais cor do que de costume. Sabe “Pleasentville” com Tobey Maguire? Em dias como hoje eu sinto que vivo nesse filme, só que ao contrário. Os sentimentos que trazem a cor aos personagens estão cada vez mais distantes e estão me devolvendo a vida em P&B. Emoções que parecem desconhecidas e/ou esquecidas por mim.

Sobre sentimentos adormecidos …

Já tem um tempinho que fechei meu coraçãozinho pro romance. 6 anos, pra ser mais preciso. Assim que isso aconteceu eu cantarolava “Quer Romance” da MC Gi nos 4 cantos da cidade. Não queria mais saber de me apegar, só queria putaria. Mas no meio do processo alguma coisa aconteceu e eu não me sentia mais bem comigo mesmo e muito mais inseguro.

Rapidamente as festas acabaram e eu voltei ao trabalho e as minhas ocupações diárias. Fui aos poucos me afastando de tudo e de todos e não permitia nenhum tipo de aproximação mais “delicada”. Com exceção de um velho amigo que voltou a fazer parte da minha vida nesse período.

Por medo e por falta de coragem de enfrentar certos obstáculos eu me primei de muita coisa e nunca saberei se seriam boas, ruins ou muito boas. Mas agora em meados de 2014 eu me deparo com uma situação que fugiu do meu controle. Volto a me sentir muito bem estando com alguém. Não que eu não me sinta bem estando com amigos, mas é aquele sentimento diferente. Aquele que te faz bem só de olhar pro outro sorrir. Que desperta saudades. Que te faz querer ter notícias dele durante todo o dia. Que te faz querer desejar boa noite toda noite e bom dia todo dia. Um sentimento que não estava previsto por alguém que não estava em meus planos de conhecer.

Até aí tudo bem, né? Finalmente eu estou quebrando esses 6 anos de trégua. Mas não é bem assim. Apesar dele ter 2 ex-namorados, não está mais disposto a se relacionar com garotos, imagina com tios como eu de quase 30 anos, né? Li errado os sinais. Apesar dele ter me convidado várias vezes pra ver cinema com temáticas gay, me apresentando peças com temática gay e me procurando diariamente com uma atenção exagerada. 

Talvez por eu ter dificuldades de demonstrar carinho ou afeto, qualquer atenção possa parecer exagerada pra mim. Mas alguns tipos de tratamentos são bastante ambíguos. E nem quando eu fui o mais objetivo possível a pessoa não “quis ver” do que se tratava essa situação. A sorte é que já abri o jogo e já tive a certeza de que alimentar isso não vai levar a nada, mas como querer alguém como amigo quando você quer mais do que só amizade?

Sendo o idiota que sou é fácil pensar que toda desculpa é menos agressiva que falar que não faço seu tipo. Então é mais suave falar que o problema está nele e não em mim. É mais fácil tratar com psicologia reversa. “Não seria um bom namorado”, “Não faço seu tipo porque você curte caras fortes e sarados.” Cara! Eu nem te pedi em namoro! Para, né! Só disse que estou gostando de ti de maneira diferente. PONTO! O bobo aqui te vê sim de forma diferente e gostaria de te conhecer melhor, mas começo a pensar no quanto isso não seria legal pra mim mais pra frente. Como tudo me afetaria.

O que mais me frusta é ter, no fundo do meu coração, a certeza que ainda vou saber de você. E que no futuro você vai estar bem resolvido e vou ter perdido alguém que poderia ter sido bom, ruim, muito bom, mas poderia. PODERIA e não foi, nem nunca será!

Sobre aquilo que se tem e aquilo que se quer …

Posso ganhar o prêmio “Problemas Emocionais” da década! Perdido não seria o melhor termo pra definir como estou. Acho que estou mais do que perdido. Depois de me despedir do único amigo que tinha na cidade eu me questiono: Como alguém só conhece UMA pessoa nos dias de hoje?

Eu sou desprezível, sabe!

As pessoas se interessam por gente bonita, gostosa e inteligente. Eu não possuo nenhuma dessas características. A sua cultura te define e eu tenho muita vergonha do pouco que eu tenho de cultura. Logo aquele aparente interesse que existia por mim se torna uma distante lembrança e some de vez. Não sou o tipo de pessoa culta que lê, curte artes e te daria orgulho em apresentar como seu namorado ou amigo. As pessoas de hoje querem trófeus e eu não tenho qualidades suficiente para ser o troféu de ninguém!

Tenho que aprender e aceitar que existe um interesse por trás de qualquer aproximação e deve ser uma via de mão dupla. O ser humano é a criatura mais triste que há na face da Terra. Ao mesmo tempo que tenho essas frustrações, me agarro fácil a possíveis “novos amores”, mas que rapidamente eu deixo de ser interessante até como amigo ou contato de uma rede social. Aliás, essa é uma nova classe, a mais baixa e sem importância que existe, mas nem isso eu consigo ser por muito tempo, porque logo conhecem quem é o Alex de verdade.