How to get away from myself?

Não sei por onde começar. Sempre tenho muitos pensamentos na cabeça e várias vezes ao dia fantasio estar transformando eles em textos relevantes, mas claro que isso acontece apenas na minha imaginação. Às vezes eu acho que posso fazer algo bom, mas logo percebo que não tenho nenhum jeito ou instrução pra esse tipo de arte e desisto. Acabo esquecendo sobre o que falaria.

Há muito tempo passa pela minha cabeça dar um fim a tudo. Eu me sinto ridículo escrevendo isso porque se comparado a pessoas com dificuldades reais e verdadeiros problemas eu não passo de um estúpido garoto mimado que não conseguiu o que queria. Com frequência eu ouço que tudo isso que sinto é bobagem e que com minhas reclamações eu ofendo várias pessoas. Nunca foi minha intenção.

Conheço (não necessariamente pessoalmente) várias pessoas que admiro muito e que estão enfrentando situações realmente difíceis que fazem meus conflitos parecerem brincadeira de criança. Gente que eu desejo muito o bem e a recuperação. Pessoas que estão lutando pra viver e fazendo planos, traçando objetivos. Tudo isso em meio a extremas dores físicas e reclusão social involuntária para fins de tratamento. Gente que trabalha dobrado pra conseguir pagar a própria cirurgia. Gente que faz dieta porque não pode comer outra coisa do contrário passa mal porque é doente e não porque tenta se encaixar num padrão. A lista é extensa.

Tudo isso me faz pensar o quanto eu sou um ser humano desprezível. Não basta ser desprovido de beleza física. Eu ainda sou feio por dentro! Desculpem, amigos! Eu não tenho a força de vocês e é por isso que admiro tanto. Eu não insisto como vocês. Eu não tenho a VONTADE DE VIVER que vocês têm. Todo o meu fracasso como pessoa, profissional, relacionamento e o todo o resto vem dessa minha apatia a vida, de não traçar objetivos e de não buscar algum sonho. Porque sempre desisto na primeira dificuldade. Existem dois tipos de pessoas na vida e eu sou aquela que perde por nem tentar e quando tenta já espera perder.

Apesar disso tudo eu não me considero um cara mau. Nunca feri ninguém (fisicamente). Não mato nem barata. Quando criança meu pai criava galinhas e sempre que uma era morta eu não comia pelo fato de conhecê-la. Mas se fosse comprada no mercado tava tudo bem! Essa indiferença ao que não está próximo amim me acompanha até hoje. Então talvez eu seja um pouco mau, sim! Além de ser uma pessoa feia física e humanamente repulsiva. Um covarde! Ainda assim não machucaria ninguém.

Talvez seja por isso que seja tão difícil me machucar e causar algo a mim mesmo. Deixar de existir é complicado. Não dá pra apertar o ‘delete’. E se você tem alguém que depende financeiramente de você (que é o meu caso) é ainda mais difícil. Você pensa que deve fazer o quanto antes enquanto há alguma coisa no banco que sirva de base pra depois e não deixar ninguém desamparado financeiramente. Mas e depois? Por isso sou covarde.

E os amigos? Troco por outros? Hoje a nossa vida tá muito mais presente nas redes sociais que na vida real. Estranho, né? Se você deixa de existir por lá é mais fácil de aceitar que você desapareceu para sempre na real. Afinal, há quanto tempo você não via alguma publicação com uma foto do Alex, né? Então é como se eu já nem existisse pra você há tempos. Quantos amigos temos hoje de fato? Quantos te ligariam se você não estivesse nas redes sociais? Quantos lembrariam que você existe se não vissem um tweet seu ou aquela foto sem camisa no Instagram? Infelizmente eu não posso usar desses artifícios pra ganhar relevância. Vivi de forma miserável na maior parte do tempo. Não tenho dúvidas que seria lembrado de forma patética. Isso se lembrado eu for!

Alex, aquele pedante! Não tiro a razão de vocês. Vocês são fortes. A vida é difícil pra todos e especialmente mais fodida para alguns. Nem de longe a minha vida é fodida se comparada a de várias outras pessoas. Mas eu sou! Tenho vergonha de me olhar no espelho e não é pela aparência. Vai muito além da aparência oque sinto. Eu já tentei mudar, já malhei, já fiz dieta, já achei que conseguiria alcançar algo próximo ao que é ser um gay em 2017, mas fracassei como tudo que já tentei. Alguns dos meus fracassos se deram por nem sequer ter tentado aquilo que queria na adolescência. Admiro uma amiga que estudou comigo e tentou por ANOS até alcançar seu objetivo e hoje leciona em faculdades. Eu achava que estava tudo certo comigo porque tinha um bom emprego, um bom salário. Tudo se foi e o que me resta? Nada! Não sou ninguém. Anos e anos acreditando estar bem quando na verdade eu só perdi tempo e vivi uma ilusão.

É isso! Eu não aguento mais. Espero conseguir “apertar o delete”! Se tudo ocorrer bem, vocês nem vão perceber. Aliás, é muito otimismo meu achar que alguém vai ler isso aqui!

 

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Sobre ser “Fake”

o-internet-troll-facebookEsse lance de se “relacionar” através de redes sociais, aplicativos que “ajudam” a conhecer pessoas “compatíveis” e busca por padrões que lhe atraem tá fudendo com a cabeça de muita gente por aí. Mas uma das coisas mais incompreendidas no meio disso tudo são os “fakes”.

Como o próprio termo já se define, fakes são perfis falsos de pessoas anônimas que se escondem atrás de uma imagem qualquer com algum propósito. Sim! Há algum propósito nisso tudo! Seja se auto-satisfazer momentaneamente em busca de atenção de algum grupo de pessoas que não lhe daria atenção se fosse você mesmo alí, ou mesmo atacar alguém fazendo o papel de hater.

O que não faz sentido é: Se eu quero tanto atenção daquele grupo e faço um perfil fake para conseguir e de repente eu consigo, eu na verdade estou afirmando e constatando que realmente quem eu sou não tem condições de estar alí onde meu fake está. Isso não foderia ainda mais e sua cabeça? A minha sim!

Por apenas um dia eu fui um fake numa rede social. Por apenas um dia eu recebi mais convites, mensagens, cutucadas, in boxes e o escambal que em 10 anos com meu perfil real. Em apenas um dia eu provei pra mim mesmo o que falo sempre: Tudo que importa é a imagem e como você é. Ninguém lê o que você tem a dizer! O que importa mesmo é seu rosto. Se você é gato, se seus amigos são gatos, se você é gostoso e se sempre está rodeado de gente igual. Essa parece ser a única forma de ter relevância no meio gay dos anos 2010.

Ainda sobre os 30

Acho que já falei por aqui que durante toda a minha vida eu sempre acreditei que não passaria dos 25 anos. Ironicamente ao chegar nos meus 30 anos eu me deparei com um sentimento de desapontamento. Embora não esperasse chegar até aqui, por alguma razão eu achava que os 30 seriam um pouco diferentes dos “20 e poucos anos”.

Não sei como funciona pra você, mas para um gay como eu, completar 30 do jeito que estou é praticamente uma morte social. Começam a te chamar de tio. Você passa a ter uma imagem nada atraente. Se eu já não era atraente com meus 20 aninhos, imagina agora! Os 30 só são interessantes quando você chega bem a essa idade. Com uma vida financeira estável e independente, uma aparência invejável e amigos.

Sim, amigos também vão lhe acompanhar se você tiver uma boa imagem e bons assuntos para se jogar fora numa boa conversa de bar. Para isso, além de ser um cara boa pinta e bem cuidado, aos 30 você precisa ter alguma formação e educação para sempre ter um bom conteúdo para oferecer. Do contrário perde mais um ponto na carteirinha de gay.

Eu sinceramente não sei o que tô fazendo nesse mundo. Sou incapaz de me relacionar com as pessoas e nunca sou a primeira opção de ninguém. Mês passado eu conheci um cara que me fez baixar a guarda. Baixei a guarda depois de 7 anos que meu “relacionamento a distância” acabou. Mas claro que quando o cara começou a me conhecer de verdade ele pulou fora. Sumiu! EVAPOROU! Eu geralmente causo esse efeito nas pessoas. Geralmente no primeiro momento. Esse demorou mais um pouco. Estava curtindo conhecê-lo, mas não estava a altura dele.

Hoje todos estão bem disponíveis como produtos de um cardápio e os melhores são sempre os escolhidos. Vou ficando pra trás junto com minha solidão e fracasso profissional. De um cara de 30 anos que ainda mora com a mãe e que terá sua vida encerrada tão logo a dela se acabe. Mães não duram para sempre, infelizmente.

Meu porta retrato feito com tampa de margarina e papel crepom!

11403441_454616721377018_2484688200273266977_nQuando eu tinha por volta de 8 anos de idade eu tinha aulas de Educação Artística. Isso foi por volta de 1994, eu acho. Sempre fui muito bom com raciocínio lógico e nunca precisei decorar a tabuada e nem usar aquele lápis com ela. Geralmente fazia continhas na cabeça ou rabiscava o caderno, mas calculava todos os resultados Porém quando a tarefa era manual e exigia alguma delicadeza e destreza, a história era outra.

Em uma das aulas de Educação Artística a professora pediu que trouxéssemos de casa o seguinte material: uma tampa de margarina (poderia ser daquela redonda ou retangular, mas a redonda era mais comum na época), papel crepom de qualquer cor, cola, uma foto e tesoura sem ponta. Sempre tive todos os materiais e livros e tinha uma organização exagerada com minhas coisas, então estava muito bem equipado para a tarefa. Durante a aula, enquanto tentava franzir o papel em torno da tampa de margarina usando cola, me deparei com a minha dificuldade numa tarefa tão simples. Observei os colegas e todos estavam tirando de letra o trabalho. Alguns já tinham até concluído e eu mal tinha conseguido grudar metade do papel. Eu não consegui cumprir o meu dever naquele dia e já pensei que minha nota seria ruim e que fracassei como melhor aluno que sempre fui até aquele momento. Foi então que caí num choro desenfreado, fui levado a diretoria e anotado um recadinho pra mamãe assinar na agenda da escola, a qual eu cuidava sempre de anotar meus deveres de casa e tinha o maior prazer em terminar primeiro que todos.

Hoje eu tive essa mesma sensação. Estou com 30 anos e tento mudar meu físico como se houvesse a possibilidade de uma mutação com gene X como nos quadrinhos e filmes. Durante meu novo treino eu tive que alterar todos os meus exercícios e séries. Passei a usar a barra para o supino reto e alteres para o inclinado. Antes usava uma máquina da academia para ambos. Peso livre requer mais esforço. Geralmente malho pela manhã, mas infelizmente a personal responsável pelas adaptações do meu treino trabalha a noite e eu tive que acompanhá-la.

Ao tentar erguer a barra sem nenhum peso para me acostumar com o movimento, eu percebi que não conseguiria colocar NADA DE PESO nela. A área de peso livre estava lotada de caras mais jovens e com um corpo infinitamente mais desenvolvido que o meu, além de serem lindos e de estarem acompanhados de outros mais velhos e igualmente bem definidos. Inclusive tem um tiozinho muito delícia lá nesse horário. O sentimento foi de fracasso. Como que eu me permiti chegar aos 30 anos sem a capacidade de levantar 10kg num supino reto? OK! Isso não tem funcionalidade no nosso dia-a-dia, mas a geração de hoje parece tomar Whey na mamadeira. Eu simplesmente não acompanho! A internet e a velocidade com que as informações são compartilhadas são apenas mais um catalizador desse comportamento.

Não sei aonde vou chegar, mas não será num lugar legal.

Sobre desistir …

Mais um Natal chegando. Já se passou um ano desde a minha “mudança”. Apesar ter voltado a Fortaleza, morar na mesma casa, com as mesmas pessoas e nas mesmas condições de antes, procurei mudar alguns hábitos no intuito de acabar com coisas que diariamente me incomodavam. Diria que em alguns dias mais que os outros, chegavam a me incomodar a quase todo o instante. Bastava entrar nas redes sociais ou sair na rua e ver pessoas “comparáveis” que já mudava de humor.

Iniciei então um projeto pessoal focado em perder peso e tentar modelar meu corpo, já que era isso que me incomodava. Não apenas isso, mas me fizeram acreditar que das várias coisas que me deixam mal, esta daria para mudar. Mudei hábitos alimentares, comecei uma rotina de malhação e aeróbica. Ao longo do processo fui conhecendo pessoas que tinham meus mesmos novos hábitos, mas que eram bem mais jovens que eu e tinham algo que nem dieta, nem malhação me trarão: eram lindos!

Comecei então e analisar o quadro em que me encontrava e descobri que pro que eu queria, eu comecei extremamente tarde. Não vou ter o mesmo resultado de uma carinha de 20 e poucos anos. Agora a sensação de impotência é ainda maior. Aquele aperto no peito e aquela vontade de me esconder de todos e de tudo voltou mais forte. Aquela vergonha de conhecer pessoas. Aquela certeza que vão ver que não sou o que pareço ser. Voltar a andar engolindo choro. Fingir.

Parece que durante toda a minha vida eu tenho corrido atrás, mas bem atrás de todos. Sempre sou o último a saber e sempre sou o último a começar alguma coisa. Deveria pelo menos ser o primeiro a morrer pra compensar todas as vezes que cheguei por último na vida. Vida essa que já foi desperdiçada pela metade e que me frusta saber que estatisticamente ainda tenho mais uma metade dela pra viver.

Nos meus últimos meses de ações e reações eu tirei o bumbum da cadeira e comecei uma série de mudanças com o intuito de melhorar minha imagem comigo mesmo, mas o tiro saiu pela culatra e só estou conseguindo a afirmação que não importa o quanto eu mude e me esforce, eu sempre vou estar correndo atrás. Não dá mais pra alcançar quem tá lá na frente e, sinceramente, nem sei mais qual o propósito.

Não sei mais porque eu trabalho. Se é pra ter uma casa, eu me questiono para quê eu vou querer ter uma casa? Se é pra ser independente, vou usar essa independência como? Não dá mais tempo de me adequar aos padrões. Não dá mais tempo de tentar ser alguém. Não dá mais tempo de acreditar em mentiras.

A coisa é bem mais complexa do que só ficar magro e conseguir mudar um pouco meu físico. Vai muito além das horas que passo na academia às vezes chorando em cima de uma esteira por me sentir uma aberração tentando mudar coisas que NUNCA vão mudar, mas que mesmo assim não consegue mais parar porque já virou hábito, mas entende que nunca vai mudar. Porque vejo quem já exerce alguma atividade há anos e tá igual.

Não existe transformação, existe manutenção.

Sobre continuar …

Você começa um trabalho de mudança física (ou tentativa de mudança) acreditando que se sente mal por uma questão estética, mas logo se dá conta que o físico está muito mais relacionado com sua herança genética que com alimentação e exercícios. Claro que uma boa reeducação alimentar e a prática constante de uma atividade física vão ajudar sim no seu desempenho e resultados, mas não vão mudar quem você é e muito menos o que você é.
Prova disso é que hoje estou usando 38/40 e meu peso está entre 80/82. Mas esteticamente as coisas não mudaram muito.
Continuo com vergonha do meu corpo. Continuo com vergonha do meu rosto. Continuo frustrado ao escolher várias peças lindas de roupa e nenhuma funcionar em mim como um pano de chão funcionaria naquele cara lindo que você conhece, mas que nunca pisou numa academia, usa drogas e não se preocupa com alimentação.
Continuo possuindo uma única sunga, mas que nunca foi usada.
Tudo que continua é simplesmente tudo que eu queria que acabasse!
Posso dizer que hoje a única alegria que tenho na vida é voltar pra casa e ter a companhia da minha mãe, mas infelizmente sabemos que isso não vai durar pra sempre.
Não sou e nunca fui o cara gatinho do colégio, ou do trabalho, ou da boate. Nunca vou ser o cara nerd interessante e gostoso. Sofro com isso e não adianta tentar mudar. Vou continuar tentando porque tem preenchido meu dia. Por mais que eu tenha que correr da esteira pro banheiro pra esconder uma ou outra lágrima que cai por ser tão diferente de tudo que está por alí.